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STJ restabelece as punições do MEC no caso Enamed: o que muda para quem tem (ou espera) o Fies?

  • há 4 dias
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Nesta quarta-feira (19/08), o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Herman Benjamin, suspendeu a decisão que vinha impedindo o Ministério da Educação (MEC) de utilizar os resultados do Enamed 2025. Na prática, as medidas de supervisão aplicadas aos cursos de Medicina com desempenho insatisfatório no exame voltam a valer, entre elas a suspensão de novos contratos de Fies nessas instituições.


A notícia correu rápido e assustou muita gente, especialmente estudantes que dependem do Fies para cursar Medicina. Por isso, preparamos este artigo para explicar, com calma e precisão, o que essa decisão significa, o que ela muda e, principalmente, o que ela não decide.


Relembre o caso


O Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica) é a prova aplicada pelo MEC, por meio do Inep, para avaliar a qualidade dos cursos de Medicina do país. Na primeira edição, divulgada em janeiro de 2026, 107 dos 351 cursos avaliados receberam notas 1 e 2, consideradas insatisfatórias.


Com base nesses resultados, o MEC instaurou processos de supervisão e aplicou medidas cautelares às instituições mal avaliadas, em intensidades diferentes conforme a nota: da proibição de receber novos alunos à redução de vagas, passando, em todos os grupos, pela suspensão da possibilidade de celebrar novos contratos de Fies.


As entidades que representam o ensino superior privado (ABMES e ABRAFI) foram à Justiça questionando as regras da avaliação, alegando que a metodologia e os critérios só foram divulgados depois da prova. No início de agosto, a presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, desembargadora Maria do Carmo Cardoso, deu razão às entidades em decisão provisória e suspendeu o uso dos resultados do Enamed 2025.


Agora, a pedido da União, o presidente do STJ suspendeu essa decisão. Com isso, o MEC recupera, por ora, a possibilidade de aplicar as medidas de supervisão fundadas no exame, até que o mérito da ação seja julgado em definitivo.


O que a decisão do STJ alcança


É importante entender o alcance exato do que foi decidido. A decisão do STJ tratou de uma disputa entre as associações de universidades e a União sobre a validade geral do Enamed e das punições dele decorrentes. O fundamento central foi a preservação da competência do MEC para supervisionar a qualidade dos cursos de Medicina, dada a repercussão da formação médica sobre a saúde da população.


Em resumo: o STJ devolveu ao MEC o poder de aplicar as medidas às faculdades. Trata-se de uma decisão provisória, num instrumento processual (o pedido de suspensão) que não julga o mérito da discussão, que continuará tramitando.


O que a decisão do STJ não decide


Aqui está o ponto que as manchetes não explicam, e que faz toda a diferença para os estudantes.


A decisão do STJ não tratou da situação individual dos estudantes que já estavam pré-selecionados no Fies antes da publicação das portarias de supervisão. Essa é uma discussão jurídica diferente, que não questiona a validade do Enamed nem o poder de fiscalização do MEC. O que se discute, nesses casos, é outra coisa: se uma medida aplicada à instituição pode retroagir para desfazer a situação de quem já havia sido selecionado, entregado a documentação e obtido a postergação da inscrição regularmente registrada no sistema antes de a punição existir.


Esses casos são analisados individualmente pelo Poder Judiciário, caso a caso, com fundamentos próprios, como a irretroatividade dos atos administrativos, a proteção da confiança legítima e o princípio de que sanções aplicadas a uma instituição não devem atingir terceiros de boa-fé. Decisões judiciais individuais com esses fundamentos vêm sendo proferidas em diferentes regiões do país, e não foram objeto da decisão do STJ desta quarta-feira.


O que fazer se você foi barrado no FiesSeleção


Se a sua inscrição no Fies foi bloqueada por causa das portarias do Enamed, a principal orientação é: não tire conclusões pela manchete, nem para o desespero, nem para a euforia. Cada situação tem particularidades que mudam completamente a análise: a data da sua pré-seleção, o registro da postergação, a documentação entregue à CPSA, os prazos dos editais e o histórico do seu curso.


Três cuidados práticos:


Guarde todas as provas da sua situação. Comprovante de inscrição, e-mail de pré-seleção, protocolo de entrega de documentos, registro da postergação e capturas de tela de qualquer mensagem de bloqueio no FiesSeleção. Esses documentos são a base de qualquer análise séria.


Acompanhe os canais oficiais. As regras dos processos seletivos do Fies mudam por editais publicados pelo MEC, e o cenário judicial do Enamed ainda vai ter novos capítulos, pois a decisão do STJ é provisória e o mérito segue em discussão.


Busque orientação especializada antes de qualquer decisão. Atitudes precipitadas, como cancelar uma inscrição postergada para tentar uma nova, podem comprometer direitos que você já tem.


A posição da ProFies


Somos transparentes com quem nos acompanha: a decisão do STJ é um capítulo relevante e favorável ao MEC na disputa sobre a validade do Enamed. Mas ela não encerra o assunto e, sobretudo, não define a situação de cada estudante individualmente. Confundir as duas discussões é o erro mais comum, e mais perigoso, na leitura dessa notícia.


Há mais de 24 anos a ProFies se dedica exclusivamente ao Fies. Acompanhamos cada edital, cada portaria e cada movimento judicial que afeta a vida de quem depende do financiamento estudantil para estudar. Se você foi afetado pelas medidas do Enamed, fale com a nossa equipe: analisamos o seu caso concreto, com honestidade sobre as possibilidades reais, sem promessas vazias.


Este artigo tem caráter informativo e não substitui a análise jurídica individualizada do seu caso. As informações refletem o cenário em 19 de agosto de 2026 e podem ser alteradas por novas decisões judiciais ou atos do MEC.

 
 
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